Acho muito engraçado quando observamos os veículos que trafegam pelo asfalto. Me parece um desfile de bolhas de metal em que cada uma exibe suas características; esdrúxulas ou não. Alguns com seu brilho estonteante, rodas cromadas e motor silencioso ficam se exibindo com a maior pose e ainda se sentem no direito de fechar os outros e parar no meio da rua. Por outro lado latas velhas simpáticas roncam mais alto que um porco, mas por vezes são menos exibidas e mais objetivas durante seu percurso. Essas mini espaçonaves acabam criando um caos sem precedentes durante algumas horas do dia. Na verdade é uma disputa de egos em meio a uma corrida com diferentes chegadas. Os carros também amam, mas podem ser bastante vaidosos.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Origens Musicais

Nos compositores a inspiração geralmente vem a partir da observação de fatos ou de um sentimento muito forte, como a frustração ou a felicidade. Os passarinhos, por exemplo, já nascem cantando. Também pudera; voando pra lá e pra cá inspiração é o que não deve faltar. Mas voltando aos seres humanos, fico imaginando como foi feita a primeira música de todos os tempos. Penso eu que um primata sentado em um tronco de árvore certa hora começou a batucar. Talvez por raiva ou apenas tédio, mas imagino que nessa mesma hora havia um amigo primata, sempre brincalhão, que começou a se requebrar todo diante do som novo; o ritmo. Gostaria de ouvir a primeira música de todos os tempos e também agradecer a esse cara. Seus descendentes deveriam ganhar o prêmio Nobel. Enfim, é assim que eu imagino as origens musicais nos seres humanos, mas só quem sabe mesmo é o primata e seu amigo brincalhão.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Sexta Casual

Viva o povo carioca. Essa gente bonita e colorida. Essa gente festeira e acolhedora. Esse ae por exemplo tem como sede de seu escritório a praia. E como todo funcionário de sua empresa se veste da maneira mais confortável possível para a chamada Casual Friday. Ele por exemplo está pedindo consultoria jornalística para Carlos Drummond Andrade. Podemos perceber sua fisionomia preocupada e interessada. Mas fiquei sabendo que eles combinaram um choppinho hoje à noite lá em Copa. Quem quiser aparecer...
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Nova banda de Jack White

Depois de White Stripes e The Racounteurs, Jack White gostou da idéia de formar bandas e já tem seu novo projeto: The Dead Weather. A banda conta ainda com Alison Mosshart (The Kills), Dean Fertita (tecladista do Queen of the Stone Age) e Jack Lawrence (baixista do The Raconteurs). Dessa vez o guitarrista Jack White resolveu atacar de baterista.
Clique no link abaixo e confira o resultado no clipe de "Treat Me Like Your Mother":
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Flamengo por Nelson Rodrigues (tricolor)
“Corria o ano de 1911. Vejam vocês: — 1911! O bigode do kaiser estava, então, em plena vigência; Mata-Hari, com um seio só, ateava paixões e suicídios; e as mulheres, aqui e alhures, usavam umas ancas imensas e intransportáveis. Aliás, diga-se de passagem: — é impossível não ter uma funda nostalgia dos quadris anteriores à Primeira Grande Guerra. Uma menina de catorze anos para atravessar uma porta tinha que se pôr de perfil. Convenhamos: — grande época! grande época!
Pois bem. Foi em 1911, tempo dos cabelos compridos e dos espartilhos, das valsas em primeira audição e do busto uni¬lateral de Mata-Hari, que nasceu o Flamengo. Em tempo retifico: — nasceu a seção terrestre do Flamengo. De fato, o clube de regatas já existia, já começava a tecer a sua camoniana tradição náutica. Em 1911, aconteceu uma briga no Fluminense. Discute daqui, dali, e é possível que tenha havido tapa, nome feio, o diabo. Conclusão: — cindiu-se o Fluminense e a dissidência, ainda esbravejante, ainda ululante, foi fundar, no Flamengo de regatas, o Flamengo de futebol.
Naquele tempo tudo era diferente. Por exemplo: — a torcida tinha uma ênfase, uma grandiloqüência de ópera. E acontecia esta coisa sublime: — quando havia um gol, as mulheres rolavam em ataques. Eis o que empobrece liricamente o futebol atual: — a inexistência do histerismo feminino. Difícil, muito difícil, achar-se uma torcedora histérica. Por sua vez, os homens torciam como espanhóis de anedota. E os jogadores? Ah, os jogadores! A bola tinha uma importância relativa ou nula. Quantas vezes o craque esquecia a pelota e saía em frente, ceifando, dizimando, assassinando canelas, rins, tórax e baços adversários? Hoje, o homem está muito desvirilizado e já não aceita a ferocidade dos velhos tempos. Mas raciocinemos: — em 1911, ninguém bebia um copo d’água sem paixão.
Passou-se. E o Flamengo joga, hoje, com a mesma alma de 1911. Admite, é claro, as convenções disciplinares que o futebol moderno exige. Mas o comportamento interior, a gana, a garra, o élan são perfeitamente inatuais. Essa fixação no tempo explica a tremenda força rubro-negra. Note-se: — não se trata de um fenômeno apenas do jogador. Mas do torcedor também. Aliás, time e torcida completam-se numa integração definitiva. O adepto de qualquer outro clube recebe um gol, uma derrota, com uma tristeza maior ou menor, que não afeta as raízes do ser. O torcedor rubro-negro, não. Se entra um gol adversário, ele se crispa, ele arqueja, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele sangra como um césar apunhalado.
Também é de 1911, da mentalidade anterior à Primeira Grande Guerra, o amor às cores do clube. Para qualquer um, a cami¬sa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo, a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte: — quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juizes, bandeirinhas tremem então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E, diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável.”
Pois bem. Foi em 1911, tempo dos cabelos compridos e dos espartilhos, das valsas em primeira audição e do busto uni¬lateral de Mata-Hari, que nasceu o Flamengo. Em tempo retifico: — nasceu a seção terrestre do Flamengo. De fato, o clube de regatas já existia, já começava a tecer a sua camoniana tradição náutica. Em 1911, aconteceu uma briga no Fluminense. Discute daqui, dali, e é possível que tenha havido tapa, nome feio, o diabo. Conclusão: — cindiu-se o Fluminense e a dissidência, ainda esbravejante, ainda ululante, foi fundar, no Flamengo de regatas, o Flamengo de futebol.
Naquele tempo tudo era diferente. Por exemplo: — a torcida tinha uma ênfase, uma grandiloqüência de ópera. E acontecia esta coisa sublime: — quando havia um gol, as mulheres rolavam em ataques. Eis o que empobrece liricamente o futebol atual: — a inexistência do histerismo feminino. Difícil, muito difícil, achar-se uma torcedora histérica. Por sua vez, os homens torciam como espanhóis de anedota. E os jogadores? Ah, os jogadores! A bola tinha uma importância relativa ou nula. Quantas vezes o craque esquecia a pelota e saía em frente, ceifando, dizimando, assassinando canelas, rins, tórax e baços adversários? Hoje, o homem está muito desvirilizado e já não aceita a ferocidade dos velhos tempos. Mas raciocinemos: — em 1911, ninguém bebia um copo d’água sem paixão.
Passou-se. E o Flamengo joga, hoje, com a mesma alma de 1911. Admite, é claro, as convenções disciplinares que o futebol moderno exige. Mas o comportamento interior, a gana, a garra, o élan são perfeitamente inatuais. Essa fixação no tempo explica a tremenda força rubro-negra. Note-se: — não se trata de um fenômeno apenas do jogador. Mas do torcedor também. Aliás, time e torcida completam-se numa integração definitiva. O adepto de qualquer outro clube recebe um gol, uma derrota, com uma tristeza maior ou menor, que não afeta as raízes do ser. O torcedor rubro-negro, não. Se entra um gol adversário, ele se crispa, ele arqueja, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele sangra como um césar apunhalado.
Também é de 1911, da mentalidade anterior à Primeira Grande Guerra, o amor às cores do clube. Para qualquer um, a cami¬sa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo, a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte: — quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juizes, bandeirinhas tremem então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E, diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável.”
Nelson Rodrigues
terça-feira, 11 de agosto de 2009
O Início
Meu primeiro post do meu primeiro blog será sobre a influência da Internet em nossas relações sociais. De vez em quando sentamos em uma mesa de bar e ficamos sem assunto. Nossos amigos podem até chamar isso de "silêncio confortável" por termos tanta intimidade. Como naquela cena do Pulp Fiction em que os personagens de Uma Thurman e John Travolta estão muito doidos em um restaurante e comentam a falta de assunto como um "silêncio confortável". Enfim, penso que hoje em dia, muitas vezes essa falta de assunto se deve ao fato de termos tantas ferramentas de interação social com tanta facilidade à nossa disposição. Ou seja, falamos tanto com nossos amigos pelo orkut, msn, facebook, twitter... que ficamos sem assunto nas mesas de bar. Por outro lado todo mundo sabe que depois do terceiro copo qualquer coisa vira assunto e qualquer assunto vira interessante e engraçado. Então viva as conversas de boteco, pois com Internet ou não elas sempre serão fiadas.
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